Faz tempo, mas nem tanto! Eu estava andando pela rua e passei na frente de uma creche. As crianças balançando, afrouxei a caminhada e me prendi na conversa delas que disputavam vários tipos de reinado... Até que a menina, até então calada, solta um:
"E você, Juliano, você é o rei das mulheres!"
E sendo sincera essa frase mudou o meu dia! Voltei pra casa sorrindo e pensando "Por que uma menina de aparentes 4 anos diria isso?" Quais eram os motivos dela pra achar isso? Será que o Juliano vai continuar sendo o rei das mulheres quando crescer? Ou será que vai virar o que as mulheres nem um pouco carinhosamente chamam de "cachorro, safado, sem vergonha"? Será que ele vai ser alvo de beijos carinhosos ou de objetos voadores? Mas eu não tenho bola de cristal pra saber do futuro de crianças que eu não lembro as carinhas sorridentes...
Mas o acontecido me faz pensar em outra coisa... se com 4 anos conseguimos discaradamente gostar de alguém pelo que ela é, por que quando a gente cresce muda? Por que a gente se mete em joguinhos de "eu não vou ligar pra ele", "eu tenho que ser difícil pra ele me dar valor", "como eu vou ser amiga de alguém que deixou meu coração em frangalhos?" e "se eu mostrar que me importo demais ele vai achar que já me conquistou"? Por que a gente quer moldar as pessoas pra elas se encaixarem no que a gente sonhou? Medo?!
Eu acho que o "eu não quero te magoar" dito numa tarde quente com sabor de desculpa é eufemismo pra "eu não vou deixar você me magoar". Eu acredito que tem sempre alguém que sai magoado e às vezes sou eu, às vezes é você. Ninguém é tão maravilhoso que chega a ser tudo o que você sonhou (e nem você será o sonho de alguém). Fato é que todos temos defeitos e manias, imperfeições físicas, comportamentais ou psicológicas. Tenho certeza de que a gente tenta muito mudar o outro ou, algumas vezes, se muda demais pelo outro. Mudar um pouquinho? Sim, isso é necessário pra se ter algo saudável com alguém.
Mas ainda tenho a convicção de que por algum motivo estranho a gente tem que gostar das pessoas com todos os defeitos de fábrica, aprender a perdoar os grandes erros e seguir em frente sem ficar cobrando e se baseando neles... Pra mim, a gente tem que se jogar de vez em quando, abandonar os joguinhos bestas, admitir pra si mesmo que você não é a última bolacha do pacote, ligar se der vontade (mesmo que seja com a mais esfarrapada das desculpas), não ter medo de ser o primeiro a admitir que adora ou o último a desistir de alguém...
A gente tem que se permitir gostar de vez em quando e com a intensidade que o nosso coração desejar e ouvir aquela vozinha que fala baixinho, baixinho quando nos deparamos com um sorriso ou um par de olhos... por que não?
Mas devo confessar que às vezes eu grito silenciosamente comigo "PÕE A PORRA DO TELEFONE NO GANCHO, LAIS!!! VOCÊ NÃO VAI LIGAR PRA ELE!"
segunda-feira, 10 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Eu por eu...
O "bom dia" sorridente na segunda...
A idéia inusitada na terça...
O vento que bagunça o cabelo na quarta...
O pé descalço na grama na quinta...
O beijo de paz na sexta...
A conversa agradável de bar no sábado...
O abraço aconchegante no domingo...
Eu sou um monte de adjetivos querendo virar substantivos, mas quem não é?!
A idéia inusitada na terça...
O vento que bagunça o cabelo na quarta...
O pé descalço na grama na quinta...
O beijo de paz na sexta...
A conversa agradável de bar no sábado...
O abraço aconchegante no domingo...
Eu sou um monte de adjetivos querendo virar substantivos, mas quem não é?!
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